Aparelho fixo ou alinhador invisível: como escolher
Os dois corrigem dentes. A diferença está em quantos tipos de caso cada um resolve e em quanto o resultado depende de você lembrar de usar. Vamos ao que importa na hora de decidir.
Por Dra. Bruna Maset, cirurgiã-dentista responsável técnica do Instituto Maset. CRO/SP 129002.
Quem pesquisa aparelho hoje encontra muita propaganda de alinhador e pouca informação honesta sobre quando ele realmente serve. Então vamos comparar de forma direta.
A diferença que mais pesa: disciplina
O aparelho fixo fica colado nos dentes. Ele trabalha enquanto você dorme, come, trabalha e esquece que existe. Não tem como usar errado.
O alinhador é removível, e é justamente aí que muita gente se complica: ele precisa ficar na boca de 20 a 22 horas por dia. Tirou para almoçar e esqueceu de recolocar? Aquele dia rendeu menos. Repetiu algumas vezes na semana? O tratamento atrasa.
Se você tem uma rotina corrida, come fora com frequência ou sabe que vai esquecer, o fixo protege você dessa variável.
Quais casos cada um resolve
O aparelho fixo resolve praticamente todo tipo de caso: dentes muito apinhados, girados, inclinados, mordida aberta, mordida cruzada e casos que precisam de extração.
O alinhador funciona bem em casos leves a moderados. Movimentos de rotação forte ou de verticalização de dente são difíceis para as placas, porque elas atuam empurrando superfícies, não com a precisão de um fio ancorado.
Situações em que indicamos aparelho fixo
- Apinhamento acentuado, com dentes bastante sobrepostos.
- Necessidade de extração para abrir espaço.
- Correção de mordida com uso de elásticos.
- Dentes girados ou muito inclinados.
- Pacientes que sabem que não manteriam a disciplina do alinhador.
Situações em que o alinhador é boa opção
- Apinhamento leve ou recidiva de tratamento antigo.
- Profissões em que aparecer é parte do trabalho.
- Pacientes muito disciplinados e organizados com a rotina.
- Casos previamente avaliados como compatíveis pela documentação.
Tempo de tratamento
Aparelho fixo leva, em média, de 18 a 30 meses. Alinhador, de 12 a 24 meses em casos compatíveis, desde que o uso seja rigoroso. Na prática, casos semelhantes terminam em prazos parecidos: o que muda é a margem de erro.
Estética durante o tratamento
Aqui o alinhador ganha, sem discussão: é praticamente imperceptível. Mas vale saber que o aparelho fixo tem versões bem mais discretas, com braquete de porcelana ou safira na cor do dente, que reduzem muito o impacto visual mantendo toda a precisão da técnica.
Investimento
O aparelho fixo costuma custar menos. O valor se distribui entre a documentação, a instalação e as manutenções mensais, o que facilita o encaixe no orçamento.
O alinhador concentra o custo na produção das placas, feitas em laboratório a partir de escaneamento digital, e por isso sai mais caro na maioria dos casos.
O que realmente decide
Nenhuma das duas opções é melhor em abstrato. O que decide é a sua documentação ortodôntica: radiografias, fotos e modelos mostram o que precisa ser movido e quanto. Com isso em mãos, fica claro se o seu caso aceita alinhador ou pede aparelho fixo.
E tem um ponto que vale para as duas escolhas: a contenção no final. Sem ela, os dentes voltam a se mover, independentemente de como foram alinhados.
Perguntas frequentes
O desconforto é parecido: os dois movem dentes, e mover dente gera sensibilidade. O alinhador tem a vantagem de não machucar a bochecha, e o fixo, de não exigir troca de placa a cada semana.
Sim, em alguns casos se faz o trabalho pesado com o fixo e o acabamento com alinhadores. A decisão é clínica e depende da resposta do seu caso.
O braquete de porcelana ou safira não mancha. O que pode pigmentar é o elástico que prende o fio, e ele é trocado a cada manutenção.
A contenção fixa pode ficar por anos, e a removível costuma ser usada à noite por tempo indeterminado. É o que garante que o resultado dure.